A diretora artística do museu, Mariana Lorenzi, explica que a mostra funciona como um elo entre o público e histórias de diferentes territórios. “A resposta foi muito expressiva, recebemos quase o dobro de inscrições da edição anterior. Esse resultado mostra que o esforço de aproximação fez diferença e nos anima a continuar ampliando o alcance do Prêmio”, completa Mariana.
O prêmio ocorre a cada dois anos desde 2008 e registrou um recorde expressivo ao alcançar 629 inscrições de 24 estados e do Distrito Federal, superando de forma acentuada a edição de 2024, que contou com 324 projetos. A expansão refletiu mudanças práticas, como a estreia de um segmento voltado a estudantes e a ampliação do comitê de jurados para cinco membros. O corpo de avaliadores reuniu os especialistas Daniela Vasconcellos, Loli Furtado, Helena Kussik, Artur Lins e Luly Vianna.
Os trabalhos que compõem a exposição estão divididos em quatro frentes de atuação: 11 focados em desenvolvimento independente, seis frutos de criações coletivas, cinco voltados ao impacto socioambiental e quatro de novos nomes do mercado. Os quatro destaques da edição recebem uma gratificação de R$ 5 mil cada, e o conjunto dos selecionados exibe suas peças até o dia 14 de março de 2027.
Os Grandes Vencedores do Ano
Produção Autoral: O projeto Apitos Afinadores de Distâncias, desenvolvido por Laura Landau entre o Rio de Janeiro e a Bahia, une o design de cerâmica a estímulos sonoros.
Produção Coletiva: A obra Fishau, assinada pela Associação Wanasseduume Ye’kwana com suporte do Instituto Socioambiental, resgata a tradicional técnica de trançado de palha dessa etnia em Roraima.
Ação Socioambiental: A Coleção Admiriti, parceria entre o escritório Guá Arquitetura e artesãos do Pará, insere as fibras de miriti na estrutura de móveis contemporâneos.
Novos Talentos: O Banco Varanda, idealizado por Priscilla Lira Alves em Pernambuco, transporta o conforto e a estética das redes de descanso para o formato de um assento de madeira.
O restante da mostra expande esse mapeamento da identidade nacional. O estado de Minas Gerais presente com o trabalho de tecelagem da Associação de Produtores e Artesãs de Roça Grande ao lado da mestra Marlice Machado.
O Nordeste aparece com criações de Alagoas, como a parceria de Rodrigo Ferreira e Irês Santos, e a união entre a marca FOZ, a associação INBORDAL e Petrucia Lopes.
A região Norte exibe a iniciativa Jalapoeira Apurada, artesanato tradicional do Tocantins ao Instituto A Gente Transforma, sob olhar de Marcelo Rosenbaum.
A ala da nova geração traz o designer Fernando Rodrigues, que utiliza resíduos de podas de árvores para esculpir utilitários de madeira, fechando o ciclo de propostas que dão nova vida a matérias-primas locais.


