Em 2026, ano em que o Instituto Tomie Ohtake celebra 25 anos de atividades, o Caderno-ensaio 5: Céu marca também um momento de olhar para o futuro institucional da casa. A imensidão do céu surge, assim, como imagem para pensar novos horizontes e a continuidade de projetos dedicados à arte, à cultura e à educação. Parte da coleção editorial iniciada em 2024, a publicação reúne textos e imagens que investigam diferentes formas de relação com o céu, aproximando arte, cosmologias indígenas, saberes ancestrais, pesquisas científicas e experiências cotidianas. Sem a pretensão de esgotar o tema, o volume propõe percursos poéticos, simbólicos e críticos em torno do firmamento, refletindo sobre os modos como o céu atravessa imaginários, práticas culturais e formas de compreender o mundo.
A publicação reúne contribuições de pesquisadores, artistas, escritores, educadores e lideranças indígenas como Alan Alves-Brito, Angélica Ferroni, Cinésia dos Santos Rosa, Davi Kopenawa Yanomami e Bruce Albert, Denilson Baniwa, Gabriela Moulin, Gustavo Caboco, Juliana Floriano Toledo Watson, Mabe Bethônico, Marcelo Gleiser, Miriam Fátima Esposito, Nurit Bensusan, Paulo Leminski, Reginaldo Prandi, Renzo Taddei e Tânia Dominici.
Os textos abordam temas como cosmologias afro-brasileiras e indígenas, mudanças climáticas, etnometeorologia, astronomia, astrologia, partejar tradicional, poluição luminosa, colonialismo, espiritualidade e os modos pelos quais diferentes culturas constroem relações simbólicas, científicas e afetivas com o firmamento.
As pinturas de Tomie Ohtake realizadas a partir da década de 1990 atravessam a publicação como um eixo visual do livro. Nesse período, a artista passou a utilizar tinta acrílica diluída em água, criando empoçamentos e camadas que evocam imagens do cosmos. Em diálogo com essas obras, a edição reúne ainda trabalhos de outros artistas, imagens de arquivo e fotografias feitas por satélites e telescópios espaciais.
Acessibilidade
Com o propósito de ampliar o acesso e enriquecer a experiência de leitura, o Caderno-ensaio 5: Céu incorpora um conjunto de recursos multissensoriais que reforçam seu caráter acessível. A publicação conta com encarte em braile, versão digital acessível, locução integral dos conteúdos e audiodescrição das imagens, além de uma paisagem sonora criada especialmente para o livro e um vídeo em Libras com legendas e narração em português. Pensados não apenas como ferramentas de acessibilidade, mas como dispositivos que expandem modos de fruição e encontro, esses recursos convidam diferentes leitores a se relacionarem com o livro por múltiplas vias sensoriais, aproximando pessoas com e sem deficiência em uma experiência compartilhada.
Sobre a coleção Caderno-ensaio
Iniciada em 2024, a coleção de livros intitulada Caderno-ensaio propõe uma jornada por temas que atravessam as exposições e as pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Tomie Ohtake, aproximando narrativas textuais e imagéticas vindas dos campos das artes, da cultura e da educação. Ao unir os termos “caderno” e “ensaio”, a coleção se propõe a fazer parte da formação e do cotidiano de diversos públicos, incorporando, com as lentes do presente, um olhar atento e não exaustivo sobre o tema tratado em cada edição. Trazendo diferentes vozes para os debates propostos, seja por narrativas visuais ou textuais, os cadernos-ensaio são pensados e organizados em tipologias de conteúdo que funcionam como um convite para que cada pessoa se reconheça como pesquisadora ao acolher sua curiosidade e, com isso, mobilize os saberes e fazeres de seu território. Os quatro primeiros volumes — Barro, Palavra, Povo e Mangue — estão disponíveis para download gratuito na Midiateca do Instituto.


