Os gêmeos Daniel e Davi Dornelas vieram ao mundo ao mesmo tempo, mas foi a condição de saúde de Davi, que nasceu com uma doença neurológica que comprometeu a fala, os movimentos e a autonomia, que influenciou os rumos da vida do irmão. Movido pelo amor e pelo desejo de encontrar uma cura para Davi, Daniel escolheu a Medicina. Ao longo da formação, descobriu outras formas de cuidar, acolher e oferecer conforto.
Durante a graduação, conheceu um serviço de atendimento domiciliar integralmente financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), destinado a pacientes com doenças graves. O contato com essa realidade ampliou seu olhar para as histórias que existem por trás de cada diagnóstico, especialmente as de famílias que enfrentam, juntas, os desafios do adoecimento.
Para morrer como um passarinho, que marca sua estreia como escritor, nasceu dessa experiência no Programa Melhor em Casa, vinculado ao Serviço de Atenção Domiciliar (SAD). Na obra, Daniel percorre o universo dos cuidados paliativos por meio de relatos que abordam a fragilidade humana, as despedidas e a finitude, sem deixar de lado a ternura, a fé, a amizade e a força dos vínculos afetivos.
Com uma narrativa delicada, o autor retrata como a doença modifica a rotina das famílias e como a presença, o acolhimento e os gestos de carinho podem fazer diferença nos momentos mais difíceis. São histórias que convidam a olhar para a vida com mais atenção e a reconhecer o cuidado como uma expressão genuína de humanidade.
Daniel Dornelas encontrou nas experiências humanas a inspiração para escrever sobre aquilo que realmente nos aproxima. Publicado em 2024, Para morrer como um passarinho é um convite à sensibilidade e uma lembrança de que, mesmo diante da finitude, o amor continua sendo uma das formas mais bonitas de presença.


