A saúde pública do Tocantins alcançou um marco histórico na quinta-feira 2 de abril. O Hospital Geral de Palmas (HGP) realizou a primeira aplicação de polilaminina do estado, colocando o Tocantins no seleto mapa dos centros de saúde que testam tecnologias de ponta para a recuperação de lesões na medula espinhal.
A paciente pioneira é Sindy Mirela Santos Silva, de 21 anos. Moradora de Combinado, ela ficou paraplégica após um grave acidente de carro em janeiro. O que antes era um diagnóstico sem perspectivas imediatas de melhora, transformou-se em esperança graças à agilidade da equipe do HGP e ao avanço da ciência brasileira.
O que é a Polilaminina e como ela age?
Diferente de tratamentos paliativos, a polilaminina é uma substância inovadora desenvolvida em laboratório pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela é derivada da laminina — uma proteína que já existe no corpo humano e funciona como uma "âncora" para o crescimento celular.
No caso de lesões medulares, a substância atua em duas frentes:
Proteção: Evita que as células nervosas que sobreviveram ao trauma morram nos dias seguintes.
Regeneração: Estimula a reconstrução dos tecidos e a reconexão dos neurônios lesionados.
Tecnologia e precisão no SUS. O procedimento foi realizado no setor de hemodinâmica do HGP, utilizando equipamentos de imagem de última geração. Sem a necessidade de cortes ou anestesia geral profunda, os neurocirurgiões Vinícius Bessa e Luiz Felipe Lobo Ferreira aplicaram a substância diretamente no local da lesão, guiados por raio X em tempo real.
"O Tocantins demonstra hoje que o SUS é capaz de oferecer medicina de alta complexidade. Não é apenas tecnologia, é o acesso à inovação para quem mais precisa", destacou o Secretário de Estado da Saúde, Carlos Felinto.
Um esforço multidisciplinar
A vitoria de Sindy não começou na sala de cirurgia. Foram meses de preparação intensa coordenados por uma equipe multiprofissional. A fisioterapia respiratória e motora foi crucial para que a jovem estivesse apta a receber o tratamento dentro da "janela de oportunidade" da pesquisa (fase aguda da lesão).
Para o médico pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte, da equipe da UFRJ, a expectativa é realista, mas transformadora: "Não falamos em cura mágica, mas em ganho de qualidade de vida. Se a paciente recuperar o controle do tronco ou pequenos movimentos de sensibilidade, já estamos mudando completamente o nível de independência dela."
O HGP destaca sua posição como o maior hospital público da região Norte a integrar pesquisas científicas de impacto nacional. A coragem de Sindy e o empenho da equipe médica abrem portas para que outros tocantinenses, vítimas de traumas semelhantes, possam vislumbrar um futuro com mais autonomia.
"Senti como se estivesse me afogando e um navio passasse para me resgatar", desabafou Sindy, que agora segue para uma nova etapa de reabilitação, sendo monitorada de perto pela rede estadual de saúde.
Nós, do Cicomunica, desejamos muito sucesso a você, Sindy! Menina corajosa, que você tenha uma excelente recuperação.
Fotos - Bruno Lacerda / Governo do Tocantins



