Alex estava internado desde o dia 3 de março, após um acidente de trânsito, e teve a morte encefálica confirmada na sexta-feira (13). Antes de seguir para o centro cirúrgico, ele foi homenageado com um "corredor de despedida", onde familiares e amigos cantaram louvores em um último adeus repleto de significado.
A decisão pela doação foi imediata, respeitando a vontade que Alex sempre expressou em vida. Sua irmã, Alexandra da Silva Costa, relembrou o espírito altruísta do irmão: “Alex sempre foi uma pessoa que se doou ao próximo. Quando veio a confirmação da morte cerebral, a primeira coisa que sentimos no nosso coração foi fazer a doação dos órgãos, porque sabíamos que ele iria se alegrar com esse ato. Estamos felizes porque agora sabemos que o Alex vai viver por meio de outras vidas e que o propósito dele aqui na Terra terá continuidade, não se encerrou com a sua partida.”
Alexandra também aproveitou para conscientizar outras famílias: “Ainda existe um tabu na sociedade sobre a doação de órgãos, enquanto muitas pessoas aguardam por um transplante. Esse preconceito precisa ser quebrado para que todos entendam que um doador pode salvar até oito vidas que estão há anos na fila de espera. Isso traz um novo significado para a morte, para a dor e para o luto.”
No HGP, o processo é conduzido pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), focada no acolhimento humanizado. A enfermeira Junya Rafaela destacou a importância da coragem familiar: “Seguimos todo o protocolo necessário com muito respeito, ética e responsabilidade. No entanto, nada disso seria possível sem a decisão da família, que, mesmo em meio à dor, escolheu transformar a despedida em um gesto de generosidade e esperança. Gostaria também de reconhecer a Alexandra, que se manteve firme e consciente da importância desse gesto.”
A coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CETTO), Tatiana Oliveira, reforçou a complexidade da rede: “A doação envolve um trabalho altamente integrado. Cada etapa exige organização, preparo técnico e muito respeito. Nosso reconhecimento vai para as famílias que encontram força para autorizar a doação. Esse gesto torna possível que o sistema de transplantes leve esperança a quem aguarda.”
Como ser um doador de órgãos?
No Brasil, para ser doador, não é necessário deixar nada por escrito ou registrado em documentos. O passo mais importante é comunicar a sua família sobre o seu desejo. Pela lei brasileira, a decisão final cabe aos parentes mais próximos (cônjuge ou familiares de até segundo grau), que precisam autorizar o procedimento por escrito após a confirmação da morte encefálica. Portanto, deixe claro para seus familiares: "Eu sou doador de órgãos".
A vida continuando em outras vidas!


