O projeto “Elas tecem o Tocantins” celebra o protagonismo feminino na cultura do estado, destacando mulheres que transformam tradição em resistência e futuro. Da preservação quilombola ao cinema premiado, essas trajetórias mostram que a identidade tocantinense é mantida viva por mãos e vozes femininas.
Guardiãs da Memória e do Ofício
Em Natividade, a mestra Felisberta Pereira da Silva lidera o Grupo de Suça ‘Mãe Ana’, impedindo que a dança de matriz afro-brasileira desapareça. Para ela, a cultura é um despertar espiritual:
“Eu digo que a Suça é um chamado da nossa ancestralidade. Quando o tambor fala, a gente se liberta, se solta e volta para a nossa origem”.
Já para a artesã Maria Bonfim, o capim-dourado foi o pilar de sustentação de sua família em um momento de crise. Hoje presidente da FECART (Federação das Cooperativas e Associações de Artesãos e Artistas do Estado do Tocantins), ela pontua a importância do trabalho manual:
“O artesanato foi uma porta que encontrei para cuidar da casa, dos filhos e do tratamento do meu marido. Hoje sigo levando o nome do Tocantins por onde passo, mostrando a riqueza do nosso capim-dourado”.
Identidade e Novas Linguagens
Na música e na comunicação, Núbia Dourado utiliza sua arte como ferramenta de afirmação racial e valorização regional:
“A cultura sempre foi para mim um espaço de expressão, resistência e transformação. A música ‘Galega Preta’ representa essa afirmação da identidade da mulher negra”.
A ilustradora Winny Tapajós conecta suas raízes indígenas ao design moderno, trabalhando com grandes marcas nacionais sem perder o vínculo com o Norte:
“Sempre que posso, faço questão de dizer que sou do Tocantins. É importante mostrar que temos talentos tão grandes quanto de qualquer lugar do Brasil”.
Conquistam o Mundo
No audiovisual, a cineasta Eva Pereira leva as histórias do sertão tocantinense para as telas internacionais. Com uma trajetória marcada pela superação, ela afirma seu espaço com firmeza:
“Eu venho de um lugar de muita dignidade. Sou mulher, negra, nortista e filha da zona rural. Minha trajetória é de resistência, mas também de orgulho. Não peço licença para ocupar espaço”.
Na literatura, a escritora Lita Maria, da Academia Palmense de Letras, imortaliza a oralidade do sertão em seus romances, honrando as gerações passadas:
“Trago comigo as memórias das mulheres que vieram antes, tanto as do cenário literário quanto aquelas que tiveram suas vozes silenciadas. Procuro, com meu trabalho, somar minha voz a essa corrente de mulheres que mantêm viva a cultura do nosso estado”.
O texto finaliza reforçando que a gestão e a criação cultural no Tocantins dependem desse mosaico de mulheres, artistas, pesquisadoras e líderes, que preservam o passado e inventam o amanhã.


