Nascida no Rio de Janeiro, a artista iniciou a sua carreira nos bastidores como maquiadora de grandes estrelas da era de ouro do rádio. O seu brilho natural logo a levou para os palcos, onde se transformou em uma das maiores referências do teatro de revista e dos espetáculos de transformismo. Com uma postura elegante e respostas sempre muito inteligentes, ela desarmava a intolerância usando o afeto e o humor refinado como principais ferramentas de diálogo.
A importância de Rogéria para o movimento de direitos humanos vai muito além da sua atuação na mídia. A sua simples existência no horário nobre da TV em períodos de forte censura política funcionava como um ato de resistência pacífica e poderosa. Ela mostrava ao país que a identidade de uma pessoa não diminuía a sua capacidade profissional, o seu valor intelectual e o seu direito de ocupar espaços de prestígio na sociedade.
A homenagem recente do Poder Judiciário, ao batizar um mecanismo de proteção com o nome de Formulário Rogéria, faz justiça à sua memória. A sua história ensinou o Brasil a enxergar a população trans com mais empatia, respeito e cidadania. Rogéria foi a presença que combateu a violência, garantindo espaço para que a voz e a dignidade de cada indivíduo sejam plenamente reconhecidas. Obrigada, Rogéria, por seu legado histórico e pela defesa da dignidade humana. Viva todas as Rogérias: as que já se foram, as que estão aqui e as que ainda virão. Tim-tim!


